Quinta-feira, 31 de Maio de 2012

Iniciativa da Casa do Povo de Valongo do Vouga

Campo de Férias 2012

Não são necessárias explicações adicionais sobre esta iniciativa. Olhe bem para a sua utilidade, veja os benefícios que dela pode colher, vá lá, pergunte, esclareça-se. Enfim, participe...



Clique na imagem para aumentar

Dia Mundial da Energia

Para comemorar este dia, a Casa do Povo do Povo de Valongo do Vouga, procurando sensibilizar os seus consumidores/associados para este dia, coloca à sua disposição esta iniciativa. Que não deixa de ter o seu interesse e pedagogia. Porque a economia é o objectivo.
E há uma novidade de última hora: ESTA CAMPANHA VAI SER PROLONGADA POR MAIS UNS DIAS....
No poupar é que está o ganho! Ponto final.



Domingo, 20 de Maio de 2012

Terras do Marnel nos jornais

SENHORES, DAI DE BEBER A QUEM TEM SEDE!

Esta digitalização encontrei-a quando pesquisava elementos para um outro trabalho que tenho em mãos. E isto tem-me afastado destas presenças que prometi serem mais regulares. Paciência...
Decorria o ano de 1971. Tratava-se de uma rubrica (chamemos-lhe assim, por ser regular e periódica) que publicava no semanário concelhio Soberania do Povo. Não me vou alongar em considerações, mas apenas lembrar que se falava em água, o precioso líquido que não existia na freguesia, a não ser através de alguns fontenários. Mas havia uma actividade constante e interesse por obter aquele elemento essencial na via.
Aquela rubrica abria sempre com um comentário (neste caso a propósito de água que não havia à disposição da população) e depois uma série de pequenas notícias dos diversos lugares da freguesia.
E este comentário intitulei-o assim: «SENHORES, DAI DE BEBER A QUEM TEM SEDE».
Se clicar na imagem vai aumentar um pouco e ter possibilidades de ler.

Sábado, 28 de Abril de 2012

Visita do Presidente da República

Ontem, dia 27 deste mês de Abril, Aníbal Cavaco Silva, Presidente da República, esteve neste concelho e na freguesia de Valongo do Vouga.
Nesta, apenas para fazer uma visita a uma empresa em franca expansão, a AGUIMOVEIS, cujas perspectivas são animadoras face ao material de construção habitacional que está a produzir.
Apenas como comprovante do facto, fica aqui uma fotografia, para cujo registo tenho de agradecer a simpatia e amabilidade do Filipe Vidal. Sem ele, não havia possibilidades de aqui postar o que quer que fosse.

Quinta-feira, 26 de Abril de 2012

Gente destas Terras - 39

Um mail simpático de duas pessoas muito simpáticas, trouxeram-me a novidade.
Tiveram direito a destaque na Revista Soluções da Nova Gente.
Deixamos aqui um cheirinho da imagem digitalizada e que consta naquela Revista.
A questão, como facilmente se perceberá, está na paciência para a realização de certos trabalhos manuais, para os quais se torna necessária uma certa dose de habilidade e de vocação.
As suas autoras, por falar em vocação, já são marcantes na área da poesia. Mas nesta de trabalhos manuais, que são sempre lindos, para quem aprecia e gosta.
O seu endereço electrónico e o blogue que faz a apresentação destes trabalhos, pode ser consultado neste local: http://handmadewithcarebylucybel.blogspot.pt/

Já que estamos com a mão na massa, fica também por aqui o print screen do blogue que está naquele endereço. E não é preciso acrescentar que se tratam de jovens da nossa freguesia. E sendo da freguesia, desde que saibamos, têm direito a destaque. Pela positiva.




Terça-feira, 24 de Abril de 2012

As Meninas Mascarenhas

O LIVRO - LII

Como dizíamos nos post anterior, temos de continuar a deixar correr, livremente, a pena do Dr. José Joaquim da Silva Pinho, porque as suas palavras que constam na narrativa que nos deixou, eram sentidas e apaixonadas.
O quadro que traça, não podia ser mais perfeito. A imagem que trespassa daquela cerimónia de casamento realizada na igreja de Travassô, como já foi dito, é qualquer coisa que não pode ser olvidada nem menosprezada. Melhor que um comentário sem jeito agora feito, conhecemos aquilo que escreveu assim:
Solar da Quinta da Aguieira, local onde se manifestou
 grande alegria pela chegada das Meninas Mascarenhas,
após o casamento da mais velha em Travassô
«Casimirinha, a irmã que ela [Maria Mascarenhas] amava e era a sua constante companheira nas peregrinações de uma vida já tão amargurada, servia de aia da noiva, toda contente nos seus dez anos já feitos.
Quando D. Maria, ao ajoelhar-se no templo para fazer as suas orações, se lembrava de seu pai, que morrera, e de sua mãe, que estava longe, e via que a irmazinha segurava gentilmente, nas suas mãos pequeninas, a cauda roçante do vestido branco do seu noivado, sentiu a comoção profunda das almas delicadas e não pôde conter uma lágrima amiga e magoada.
A cerimónia foi tudo quanto há de mais simples e tocante.
O prior de Travassô disse a missa nupcial e o padre José da Fonseca, o capelão e amigo da casa d'Aguieira, celebrou o casamento, pronunciando uma oração que saía dos moldes consagrados na liturgia católica e toda se referia à história e ao coração dos noivos que mereciam ser abençoados por Deus.
Ao regressar a casa do dr. Miranda, um almoço lauto foi oferecido aos convidados.
Sobre uma grande mesa poisavam tolahas de linho e iguarias escolhidas.
Foi um banquete.
Os viajantes mal tinham tido uma refeição na noite anterior e haviam passado as longas horas da sua viagem pela ria, pelo Vouga e pelo Águeda, sem alimentação alguma.
Estávamos em jejum quando nos sentámos à mesa.
Calcula-se a voracidade dos nossos estômagos esfomeados.
Não houve discursos.
Breves saudações, cumprimentos mútuos, congratulações recíprocas, a unidade do sentimento em ânimos irmãos que sabiam que podiam respirar no livre ar das terras da sua pátria.
Depois, partimos para Aguieira, a cavalo, através das gândaras cobertas de pinheiros, a murta florindo nas moitas verdes, o sol fecundo e resplandecente, pondo da fronte da noiva ingénua e pura a grinalda de oiro de suas radiações fúlgidas.
Era uma numerosa e brilhante comitiva.
A chegada a Aguieira foi de uma efusão única.
As Meninas foram recebidas nos braços de boa gente que as esperava.
Todos nós chorávamos de comoção e alegria.
Joaquim Álvaro chorava lágrimas de saudade.
No último ano, durante a emigração, tiinha falecido seu irmão João Baptista.
Quando ele volvia ao seu lar, em dia festivo, não encontrava a austera e nobre figura de seu irmão que tanto lhe queria!
Por isso, ele chorava as suas lágrimas sentidas!»

*****

A seguir iremos passar a conhecer o que foram os primeiros tempos da vida do casal e de tudo o que o envolvia.

Sábado, 21 de Abril de 2012

Faleceu José Morais Rachinhas

Ontem, dia 20, pelas 16 horas realizaram-se as cerimónias fúnebres pelo falecimento daquele conterrâneo e amigo que era.
Como seria de esperar lá fui.
Revi pessoas que há muito as tinha longe da vista, estive com sua esposa e filhos e demais familiares.
Tinha lá uma pequena pagela, com a sua fotografia e das quais retirei uma. Aqui a deixo para quem o conhecia.
Era irmão do António, que foi oficial da Força Aérea Portuguesa, que já faleceu assim como o irmão mais velho, Nelson Morais Rachinhas. Residia, após o seu casamento, em Albergaria-a-Velha, local onde trabalhou durante muitos anos, embora natural de Carvalhal da Portela.
A sua irmã mais nova, Maria de Lurdes, vive no Brasil com seu marido e filhos.
O cortejo fúnebre, até ao cemitério de Albergaria-a-Velha foi extenso, tantas as pessoas que acompanharam os restos mortais daquele por quem, certamente, tiveram e têm, com esta manifestação, grande consideração e amizade.
No meu íntimo, desejei apenas que descanse em paz na eternidade e com todos os anjos celestes.
Mas mais nada que não fosse e seja um até já...

Quinta-feira, 12 de Abril de 2012

Onde a serra começa

Moutedo: O que tem de melhor são os ares...


                                             
Em cima exterior da capela de Santa Ana do Moutedo.
Em baixo, interior da mesma capela.
Fotos do site padrejulio.net, com a devida vénia
Nada de cogitar erradas interpretações sem ler o resto!
O título «Onde a Serra Começa» e o sub-título «Moutedo: O que tem de melhor são os ares...» são da autoria do conceituado jornalista e escritor Armor Pires Mota. Os mesmos títulos faziam parte de uma série (esta já tinha o número 12) de reportagens que este amigo fez em 1971, provavelmente publicada em 10 de Abril deste ano, toda ela relacionada com as aldeias até aí quase desconhecidas e inacessíveis. E estas junto do sopé das montanhas que iniciavam a formação da serra das Talhadas, do Giestal, do Caramulo, etc. Por isso, onde a serra começa... Acompanhei várias vezes o Armor nestas andanças e conheci estas povoações muito tempo antes daquele ano, com as suas dificuldades e com tudo aquilo que lhes fazia falta.
Um dia destes, na Biblioteca Municipal, encontrei duas reportagens sobre essas localidades e outras, de que não obtive cópias, que faziam parte desta temática, publicadas pela centenária Soberania do Povo, de cuja redacção aquele amigo era o seu responsável.
É um texto extenso para blogue, mas vale a pena recordar o que era o retrato do Moutedo, nas palavras das pessoas ali citadas, hoje já desaparecidas do nosso convívio. É que, naquela altura, não havia estrada, não havia água, não havia electricidade, nada... e foi assim:

*****

Decididos a desbravar pela pena as terras do Marnel, chegámos ao Moutedo, em tarde de sol bravio, com duas andorinhas riscando a nesga de alcatrão. Subimos ao largo da capela de Santa Ana do Moutedo, edificada em 1959 pelo povo e pelo grande benemérito Augusto Pereira dos Santos. E, depois de anotarmos na parede do coro uma mancha verde de musgo ali plantada pela chuva e uma janela carcomida, metade sem vidros, saindo, lançámos os olhos pelo mar verde de pinhais, ondulando em requebros de luz, até ao mar, com manchas de branco casario, Toural, Pedaçães, Cabeço do Vouga.

QUANDO SOPRA O VENTO NORDESTE
Isto é muito lindo. Chega-se a ver o farol da Barra, em dias mais limpos. Hoje está muito empoado. Aquele monte acolá é o Buçaco - dizia-nos Maria da Silva Bastos para abrir a conversa. Mas continuou: Estes ares daqui são mais sãos. É serra. Não há gente que vai para o Caramulo tomar ares? O mal desta terra é o vento nordeste que dá cabo das vinhas e de tudo. Quando sopra é um caso sério. Ameaça-nos de fracas colheitas: Lá para baixo, este maldito vento não se sente tanto. Vivemos bem, perguntou? Muito bem? Sabe Deus como. Os que cavam na terra vivem mal. Está bom é para os que trabalham nas fábricas... Isto é muito lindo. Hoje é que não. As vistas são feias, porque está tudo muito empoado... Os ares são bons, mas a luz das estrelas à noite não nos basta. A luz é a única coisa que nos falta. E também a estrada está numa lástima, uma miséria...

Terça-feira, 10 de Abril de 2012

Compasso Pascal

A equipa da minha zona

Uma equipa na zona norte
Uma equipa na zona sul (Arrancada). Foto de Filipe Vidal.
Grupo Arrancada
O Compasso Pascal, na minha opinião, perde-se já na memória de uns tempos bastante antigos. Há quem admita que o Compasso Pascal tem origem numa tradição cristã que consiste na visita casa a casa de uma paróquia (daqueles que a queiram receber) do Crucifixo de Cristo no dia de Páscoa para celebrar a sua Ressurreição.
Um pequeno grupo de paroquianos, com ou sem o seu pároco, liderados por um crucifixo que representa a presença de Jesus vivo, percorre várias casas de outros paroquianos que manifestem a sua vontade de receber a visita, com significado no Jesus Ressuscitado no dia de Páscoa. Em cada uma das casas, após uma bênção inicial, os habitantes da casa visitada beijam a cruz de Cristo como demonstração de adoração.
A esta tradição associaram-se diferentes formas de receber essa visita. Ela é vista como uma forma de confraternização dos membros da comunidade paroquial com a oferta de alimentos da quadra ou apenas uns minutos de repouso para o grupo itinerante. É também comum ser aproveitada para oferta de donativos pecuniários à paróquia, como cotização de obrigações paroquiais em conformidade com as disposições estabelecidas, nomeadamente com base na tradição e até no código de Direito Canónico.
Pois bem, por cá ainda se vai cumprindo a tradição porque há duas coisas para que isso aconteça: uma, é a de existirem voluntários e pessoas de boa vontade que a isso e para isso se disponibilizam; a outra é a de que ainda há moradores que o pretendem e franqueiam as suas portas a estes mensageiros.
Mas as coisas estão a decair muito e, como se sabe, já lá vão muitos anos, o Compasso Pascal, ou a Visita Pascal só se realizava em povoações relativamente pequenas. Já nos centros urbanos de alguma dimensão - não necessariamente grande - o Compasso Pascal é impraticável pelas dificuldades de deslocação que apresentam.
Imaginemos algumas das habitações desses centro urbanos, e não só, a existência de prédios de alguns andares (não são necessários muitos andares), em que subir e descer escadas dava cabo da paciência a um santo, além do incómodo e do tempo dispendido.
Mas esta tradição tem mais impacto e antiguidade noutras zonas do país, como, por exemplo, em Braga e outros territórios minhotos e até de outras zonas.
Mas tudo isto a propósito da equipa que por cá andou e que, com a sua colaboração, aqui a deixamos registada na foto.

Segunda-feira, 2 de Abril de 2012

Gente destas Terras - 38

O Chico
(Francisco António da Silva Gomes dos Santos)

O Chico foi meu colega de escola. Eu fazia parte da fila de carteiras que ficavam alinhadas do lado da parede, após a entrada da porta (lado direito), e fui colocado na segunda carteira, que, como se sabe, tinha lugar para dois alunos. A primeira carteira desta fila, era «chefiada» pelo saudoso João Vidal Xavier, há pouco falecido.
Era filho de um ilustre escritor, o Engº Jose de Bastos Xavier e da D. Dulce da Costa Vidal.
Do meu lado esquerdo, ficava a outra fila dos alunos da quarta classe e, na primeira carteira, outro «chefe» mas mais intelectual, Francisco António da Silva Gomes dos Santos, filho do inspector Arménio Gomes dos Santos e da D. Maria Antónia Valente da Silva, esta ilustre professora ao tempo descrito. Foi nossa professora a saudosa D. Beatriz de Jesus Araújo Moura. Como ela gostava de mencionar, todos estes nomes tinham origem ilustre. E dava os significados dessa origem, que agora não vou repetir.
Há dias, desfolhando na Biblioteca Municipal, em pesquisas para outros trabalhos, encontrei umas reportagens, nas quais participei (sem fazer nada), mas cujo autor foi Armor Pires Mota.
Era uma série que se desginava «ONDE A SERRA COMEÇA». E chegou a tratar de alguns lugares, encostados à serra das Talhadas, pertencentes à área geográfica da freguesia; Redonda, Salgueiro, Moutedo, Gândara e Cadaveira.
Em paralelo com essas pesquisas e com a recordação daquelas interessantes reportagens, encontrei uma referência - jornal Soberania do Povo - cuja digitalização aqui deixo, que, pela numeração e em conjugação com outras reportagens e datas, deve ter sido publicada em 10 de Abril de 1971. Infelizmente e imperdoavelmente, não tomei nota da data, o que é elementar em pesquisas.
É com evidente saudade e outro tanto de sentimento de um dever que o que encontrei diz respeito ao Francisco, hoje homem ilustre de uma Academia Brasileira, cujos degraus subiu a pulso próprio, antes de 1971, não sem conhecer e sentir o que foram as dificuldades até poder atingir tal patamar da cultura e do saber. Apenas uma singela lembrança.

(Clique na imagem para ampliar)

Sábado, 31 de Março de 2012

Terras do Marnel

MARNEL: Sepultura de Peixes

Já lá vão mais de 40 anos!
Foi precisamente publicada em 7 de Agosto de 1971 a minha primeira reportagem no jornal Soberania do Povo, do qual era Editor e Redactor Principal o meu amigo Armor Pires Mota.
Em duas penadas cá conto o que foi. Em certo dia próximo daquela data, aparece no local onde ambos chegámos a trabalhar, um conterrâneo muito amante da pesca de rio, Horácio Alves de Almeida, que todos conhecemos com a sua loja em Valongo do Vouga.
O Horácio foi comunicar ao Armor que os cursos de água desde a Aguieira e indo por aí abaixo até ao Marnel, Lamas - porque depois eu não fui ver o estado do rio a seguir a Lamas, para os lados da Trofa e do seu «Poço do Fidalgo» - estava impestado de enormes quantidades de peixe morto. Ou seja, tinha começado um dos primeiros atentados ao ambiente na nossa região. Porque antes disto já existia, mas com baixo impacto, ao contrário do que este acontecimento originou.
Perante este facto, o Armor Pires Mota pediu ao Horácio que fosse à Foto Central, a Águeda, e que o sr. Gonçalves tirasse uma foto a um safio de água doce (creio que é assim que se chama), que era portador, de tamanho e peso consideráveis. Era a técnica daquele tempo. Que não havia. Foi a minha única fotografia, agora colada ao papel de jornal. Do rio, não tenho nenhuma, porque não havia máquina pessoal.
A mim, incumbiu-me o Armor da reportagem, de fazer contactos, procurar saber o que se passou e como passou, ouvindo as pessoas que deste facto tiveram conhecimento, e lá fui.
E o resultado foi isto que aqui deixo digitalizado, com montagem à minha maneira, porque neste caso de informática só sou/fui capaz de chegar até aqui.
O resto não vale a pena evidenciar. Foi um choque e uma repercussão enorme na região e fora dela. E a mim, estive quase a ser condenado por ter feito uma informação de importância e incomensurável valia e impacto. Foi quase uma revolta...
O que sabemos é que o Marnel, a partir do início de Agosto de 1971, nunca mais foi o mesmo.
Tenha lá um pouco de pachorra, clique nas imagens, amplia e pode ler...
A esta hora sou capaz de adivinhar! Não sabia? Eu sabia que não sabia...

Domingo, 18 de Março de 2012

Coisas e loisas

As coisas são assim...

A foto não está identifica. Nem nós a identificamos. Não seria correcto.
Na entrada, junto ao portão de acesso, há uma moradia na freguesia que tem, do lado de fora, para a rua, como é evidente, a placa que apresentamos ao lado.
Trata-se, como sabemos, de um provérbio popular.
Melhor dizendo, talvez um adágio.
Provérbio ou adágio, é quase a mesma coisa.
O que é certo é que achamos - apesar da hipotética interpretação de cada um - uma frase com grande verdade e muito certeira.
Porque é certo, também, que o mosaico ali colocado com estes dizeres está à porta de alguém que tem uma casa apresentável, com ares de bem apetrechada, pelo menos por fora e no telhado.
Felicidades para o seu proprietário e morador.
Honra lhe seja feita, porque talvez lhe tenha saído do corpo e de muito suor, para possuir um prédio com alguma notoriedade. Como outros que por aí estão, mas de outras posses.
Por mim, que também trabalhei e nunca tive uma baixa, sendo um dos beneficiários da segurança social que nunca provoquei grandes despesas ou prejuízos, para além do então designado abono de família - que também não era grande coisa, mas era mais do que agora que não é nada, para uma grande parte - durante todo o percurso da minha carreira contributiva. Acredite...

Sábado, 17 de Março de 2012

A Junta de Freguesia na história - 92

Casa de escola quase pronta


Se não foi este, foi outro edifício. Eram dois iguais.
Temos andado a acompanhar as actas da Junta de Freguesia, cronológicamente, e, como se sabe, a tomar contacto com o andamento das obras da construção das escolas.
E já manifestamos alguma curiosidade em saber quando terminaram as obras e o que é que aconteceu. É isso que se começa a vislumbrar no horizonte através da acta da sessão de 27 de Fevereiro de 1916, que a seguir se transcreve:

«Foi deliberado mandar pintar as colunas do alpendre da Escola bem assim colocar cortinas nas janelas das salas de aula da mesma. De acordo com o empreiteiro, foi também deliberado carrear a pedra da pedreira para junto da obra à razão de trinta e três centavos ($33) cada metro cúbico, e a areia à razão de dezassete centavos.
Finalmente foi deliberado que a Junta se constitua em Comissão e congregue a esta todos os cidadãos que dela pretendam fazer parte, para organizar uma festa cívica de comemoração pela inauguração do novo edifício escolar.»

Como não temos mais material para poder adiantar alguma coisa sobre a evolução dessa festa, aguardaremos por novas pesquisas, mas o que fica dito é o prenúncio que as escolas estavam na sua fase final de construção. Vamos a ver como foi essa festa de inauguração em 1916.

Quinta-feira, 8 de Março de 2012

As Meninas Mascarenhas

O LIVRO - LI
Igreja de S. Miguel, em Travassô, onde se
realizou a cerimónia religiosa do casamento.
Foto do site da diocese de aveiro
Reli o episódio da chegada do barco, que tinha atravessado a ria, numa noite de lua que fulgia esplendores retratados no espelho das águas sossegadas. Só se ouvia o som produzido pelo roçar das varas dos barqueiros nas bordas do barco e as tristes cantigas que eles entoavam para não dormir.
Após ter relido, pensei que a melhor forma de transmitir uma emoção, um sentimento, uma transição de quase duzentos anos, seria deixar correr a pena do Dr. José Joaquim da Silva Pinho, por ser de todo sensível ao quadro que o rodeava. Assim, transcrevemos textualmente o que foi a chegada a S. João de Loure, depois a Travassô, o casamento, a boda em casa de um histórico e conceituado advogado desta freguesia, o Dr. José Correia de Miranda:

«Ao amanhecer, clareando o primeiro alvor da madrugada, Angeja via-se toucada de gaze de um nevoeiro subtil, e, rio Vouga acima, dormindo ainda debaixo de toldos de palha os meus companheiros, eu entretinha-me a atirar aos mergulhões com a minha espingarda certeira.
O barco parou em São João de Loure para eu saltar em terra e ir a Eixo arranjar dois cavalos que levassem rapidamente a Aguieira Agostinho Pacheco e Joaquim Álvaro.
Os cavalos aprontaram-se depressa, cedidos por António Nunes Marques.
O dr. José Pereira estava em Eixo e quis ir a São João ver Joaquim Álvaro.
Fomos ambos a conversar por entre os cômoros do campo povoado de milheirais ainda viçosos.
Os dois irmãos partiram a cavalo e nós seguimos pelo Vouga até à Ponte da Rata e daí, já no rio Águeda, fomos surgir no porto do Amieiro, em Travassô.
Estávamos, enfim, na verdadeira terra da pátria.
Do Amieiro partimos para Travassô, subindo a encosta.

A Junta de Freguesia na história - 91

A inauguração da sede da Junta
Em 12 de Abril de 1959

Estes apontamentos blogueiros são lidos em Rio Grande do Sul, no Brasil.
Tínhamos prometido, há uns tempos atrás, que publicaríamos a acta que relata a cerimónia da inauguração do primeiro edifício da sede da Junta de Freguesia de Valongo do Vouga, cujo acto teve lugar em 12 de Abril de 1959, também como forma de dar a conhecer àqueles leitores e visitadores de do Rio Grande do Sul, algumas facetas da terra de seus pais, e dos seus progenitores.
Porém, também tínhamos quase a certeza de que tal história já aqui tinha sido colocada. E fomos atrás dessa história, que encontramos e que se pode rever neste endereço:


Clique e vá até lá, para recordar.

Domingo, 26 de Fevereiro de 2012

Brumas da Memória - 13

A antiguidade da Paróquia de Valongo do Vouga
(do livro 'A Paróquia de S. Pedro de Valongo doVouga')


De rajada apontamos as armas do blogue para o livro mencionado, quer acima, quer no post anterior, de António Martins Rachinhas. Porque já li um certo conteúdo, para quem ainda o não tem e para aqueles que na diáspora se encontram, deixo este pequeno apontamento, inserido na página 39, quando se faz a história dos Bispos da Diocese de Coimbra, da qual a Paróquia de S. Pedro de Valongo do Vouga fez parte durante uns bons pares de anos. E por mais de uma vez. Transcrevemos apenas este naco:

«A seguir, referimos os nomes dos Bispos que ali exerceram a sua missão, enquanto a nossa paróquia fez parte integrante dessa Diocese, e iniciando esta relação a partir da data do primeiro documento que conhecemos sobre Valongo do Vouga, ou seja, no ano de 897, quando Valongo foi de Gondesindo Eris (Erotis, Erote, Eris), filho de D. Ero, cc, D. Enderquina Pala (1ª deste nome) e de D. Adosinda, que a doaram a S. Salvador de Lavra, onde sua filha Adosinda era freira:»

Seguem-se os nomes dos Bispos depois da 1ª reconquista cristã (878), até à conquista de Almansor (987).
Isto significa que as Terras de Valongo são milenares, porquanto se em 897 já eram conhecidas, confirmando-se, naturalmente, que foi povoada em época anterior à nacionalidade, como bem se diz e se escreve por muito boa gente competente em história.
Para já, deixamos apenas este pouco, porque o muito que contém, só se pode avaliar, lendo...

Brumas da Memória - 12

A Paróquia de S. Pedro de Valongo do Vouga
- António Martins Rachinhas -


A Capa do livro
Apesar de "ausente" destes locais, claro que tinha e tenho por aí matéria mais que suficiente para aqui postar. No que a este diz respeito, tomei a iniciativa de publicar apenas e só quando tudo tivesse sido apresentado.
Ou seja, acaba de aparecer mais um livro da autoria do nosso conterrâneo António Martins Rachinhas, que tem aquele título, e que podia ter aproveitado para me "antecipar". Como disse não o fiz. Tenho o livro em meu poder há uns tempos.
Ontem, dia 25 de Fevereiro deste ano da graça, realizou-se na Junta de Freguesia o acto solene do lançamento deste livro. Como o próprio confidenciou, andou de volta deste trabalho cerca de dez anos. Nós próprios acabamos de saber o trabalho que se suporta com estas coisas.
Isto para dizer o quê?
Para dizer que finalmente começam a surgir iniciativas sobre as terras de Valongo e sobre as suas histórias. E que tantas tem. E porque se torna necessário, imprescindível proporcionar e deixar um legado aos actuais e, principalmente, aos vindouros Valonguenses. Neste blogue tenho-me batido, vezes sem conta, sobre este assunto. Neste livro estão 263 páginas de história e documentação.
Mesa de honra do lançamento do livro
De destacar as personalidades eminentes que ajudaram o António Rachinhas nesta árdua e longa tarefa. E, por isso mesmo, o trabalho ganha em valor, dignidade, fidelidade. Ganha em história local, que, certamente, muitos desconheciam.
O acto solene que acima refiro, teve a presença do bispo emérito de Aveiro, D. António Baltasar Marcelino, que foi também autor do Prefácio, do bispo residencial, D. António Francisco dos Santos que, não estando presente, foi autor do Pórtico que ficou inserido nesta obra.
O salão nobre da Junta foi pequeno para tanta gente. Por isso é de registar ainda a presença de elementos da Junta e Assembleia de Freguesia, nomeadamente Carlos Alberto Pereira e António Manuel Pinheiro da Conceição, de Monsenhor João Gaspar, Eminente historiador, do Dr. Horácio Marçal, da Dr.ª Maria dos Anjos Antunes, a quem o autor pretendeu homenagear, porque seu marido, o Dr. Manuel Antunes de Almeida, foi o autor do prefácio de um outro livro seu, sobre a Escola C+S. De registar a presença do Prof. doutor Delfim Bismark Ferreira de Albergaria-a-Velha, notável historiador. A intervenção de Júlia Magalhães, poetisa popular da freguesia, na sua forma já peculiar, referiu-se a este facto com quadras suas que ofereceu ao autor.
Por isso, retomando as actividades cibernautas, aqui deixo, com ênfase, esta nota.

Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2012

As Meninas Mascarenhas

O LIVRO - L
Foi aqui perto que o barco terá rodeado em direcção
 a norte, após deixar o Vouga
Em 11 de Novembro (há tanto tempo) deixámos esta história numa espera de um barco situado abaixo da ponte de Vouga, dos Abadinhos, que levaria alguns amigos do Visconde de Aguieira até Ovar, onde deveria ser recolhido, ele e as suas pupilas, vindos de França, por Inglaterra, desembarcando em Vigo. Estratégias montadas para não serem descobertos pela família dos Bandeiras de Torredeita. Desta noite de 11 de Setembro [de 1850] deixamos as descrições, jubilosas, daquilo que passou esse grupo de pessoas, até à chegada a Ovar.
Os viajantes que iam esperar, vinham numa liteira que tinha sido alugada, no Porto, por António Soares, de Arrancada, o qual se tinha deslocado a Vigo para recolher os três viajantes (Visconde e as duas pupilas suas tuteladas).
Dizia o Dr. José Joaquim da Silva Pinho, na sua narrativa, que passaram no barco «uma bela noite, apesar de ele meter água por todos os lados, fazendo uma travessia alegre e chegando Agostinho Pacheco, apesar do seu génio grave e sombrio, a dizer facécias que nos fizeram rir. Nós íamos como para uma festa.»
Chegados a Ovar, com todas estas peripécias, «hospedámo-nos na estalagem do Tomé, à Ribeira, onde chegámos de tarde, mas debalde esperámos os viajantes nessa noite.»
Até que, «no dia seguinte também eles não vieram e só ao terceiro dia, já noite, é que Tomé nos veio informar de que se aproximava uma liteira que trazia uma família francesa, que ele não podia receber por ter a casa toda ocupada.»
Para o grupo de amigos de Joaquim Álvaro, já apreensivos e receosos pela demora, a esta notícia do Tomé correram para a rua e da liteira viram descer Joaquim Álvaro e as meninas Mascarenhas.
«Não é para contar o júbilo de todos nós.»
«Houve quem chorasse lágrimas de contentamento.»
O que é certo é que meia hora depois já estavam a bordo de um barco varino, com as meninas deitadas no cubículo da proa, repousando, ficando os homens sentados no tombadilho, e todos de ouvidos colocados no Dr. Joaquim Álvaro a ouvir alguns casos da sua vida de emigrado.
A seguir a sua chegada a Angeja, depois Travassô, etc.

(Continua)

Quinta-feira, 19 de Janeiro de 2012

Souza Baptista

Aniversariava hoje se fosse vivo!


É exactamente o que queremos deixar por aqui informado. Souza Baptista nasceu a 19 de Janeiro de 1874, pelo que, como é lógico, o seu aniversário, mais um, passaria nesta data.
Sei, todos sabemos, que certamente falamos muito sobre Souza Baptista. Como já disse aqui, talvez por mais de uma vez, estou em crer que nunca será demais falar-se nesta figura ímpar. Que marcou a freguesia e marcou uma epoca da sua história e da sua vida.
Será desta forma simples que muitos ficarão a saber e outros a recordar, se já o soubessem, que esta data devia ser mais amplamente divulgada, quiçá, mais comemorada.
Penso que ninguém discorda de que, pela minha parte, fiz o que tinha a fazer.
Outros que o melhorem e realcem o facto da forma que entenderem, relembrando o exemplo de Souza Baptista, que fez o bem sem intenções de se enaltecer, fazendo-se apregoar ou tornar-se arauto público dos factos para os quais contribuiu.
Que o exemplo perdure e se torne multiplicativo e seguido!

Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2012

A Junta de Freguesia na história - 90

Sessão extraordinária de 30 de Janeiro de 1916

 
Já ilustrou várias vezes esta história fotos da escola de Arrancada
Esta é a escola primária de Valongo do Vouga

Na sessão anterior que aqui foi referida, realizada em 9 de Janeiro de 1916, ficaram narradas as histórias de umas eleições e a convocatória para esta sessão extraordinária, que naquela data ficou já marcada para o dia 30.
Havia necessidade de verificar os concorrentes para a construção da segunda tarefa da «casa de escola» de Arrancada. E esta sessão consta em acta datada do referido dia 30 de Janeiro de 1916. Após os habituais termos usados nas actas diz o seguinte:


«Aberta esta sessão foi marcado o espaço de espera de uma hora para durante ela, quem ainda o pretendesse, poder apresentar a sua proposta. Findo este lapso de tempo procedeu-se à abertura e leitura da única proposta apresentada, pertencente a Manuel Lourenço, casado, carpinteiro, do lugar de Brunhido, que se obriga à construção da referida tarefa, constante de dois salões, vestíbulo e vestiário, alpendre e retretes respectivas, segundo as condições e caderno de encargos, pela quantia de mil duzentos e oitenta e oito escudos. A Junta, ponderando que não seria fácil aparecer concorrentes a qualquer praça que de novo se marcasse, que melhor interesse ou melhores garantias desse à mesma Junta e atendendo também a que é indispensável não protelar estes trabalhos, resolveu adjudicar a empreitada ao referido concorrente, ficando também resolvido que o respectivo contrato fosse lavrado por meio de auto. Foi também resolvido autorizar o presidente a representar esta Junta na redacção do referido contrato. E por último foi também deliberado proceder-se imediatamente à construção das retretes pertencentes à parte do projecto da Escola já construída, e bem assim autorizar o seu pagamento.»

A redacção deixa sérias certezas de que uma parte da escola já estava construída. De outro modo não se redigia «proceder-se imediatamente à construção das retretes pertencentes à parte do projecto da Escola já construída.»
Esta acta foi subscrita por João Baptista Fernandes Vidal, secretário interino, e assinaram Álvaro de Oliveira Bastos, António Gomes de Oliveira e Albano Ferreira da Costa. O primeiro, presidente, os restantes vogais.
Vamos ver se conseguimos encontrar a história da finalização das obras e da sua inauguração, se é que existiu. O que existiu e vou narrar, é a história da inauguração da sede antiga da Junta de Freguesia. Ainda não a tenho, mas creio que foi em 1959, e essa acta, com a qual ja tomei contacto, está redigida por Nelson de Morais Rachinhas e nela menciona os pormenores da inauguração, para cuja construção participou seu pai, Joaquim Ferreira Rachinhas, do lugar de Carvalhal da Portela.